
Antes de colocar aquele celular parado na caixa e levar numa agência dos Correios, tire a sua conta Google (ou a Conta Apple, no iPhone) do aparelho e só depois faça a restauração de fábrica, porque essa ordem apaga os seus dados e ainda evita que o celular fique travado na sua conta depois de restaurado. No Android isso fica em Configurações > Senhas e contas e depois em Sistema > Opções de redefinição, e no iPhone em Ajustes > Geral > Transferir ou Redefinir iPhone > Apagar Conteúdo e Ajustes, então com bateria carregada e o backup feito o processo inteiro leva de 30 minutos a pouco mais de 1 hora por aparelho, porque a restauração sozinha pode demorar até 1 hora em alguns modelos.
Depois disso é tirar o chip e o cartão de memória, colocar tudo numa caixa de papelão aberta e levar numa agência que tenha o Balcão do Cidadão, que é onde o serviço novo funciona. Os Correios anunciaram em 14 de outubro de 2026 que passaram a receber eletrônico usado de graça em mais de 6 mil agências, em parceria com a Circular Brain, e a caixa pode pesar até 30 kg.
| Situação do aparelho | O que eu faria antes de levar | Tempo aproximado |
|---|---|---|
| Android que liga normalmente | Backup, remover conta Google e Samsung (se for Galaxy), restaurar pelas Configurações | 30 minutos a 1 hora |
| iPhone que liga normalmente | Backup, desemparelhar o Apple Watch, finalizar sessão da Conta Apple, apagar conteúdo | 15 a 30 minutos |
| Celular que não liga mais | Remover o aparelho da conta pelo computador e trocar a senha da conta | 10 minutos |
| Notebook ou tablet | Backup, sair das contas e reinstalar ou restaurar o sistema | 1 a 2 horas |
| Bateria estufada ou pilha solta | Não vai pelos Correios, precisa de outro ponto de coleta | Depende do ponto |
O que entra na caixa e o que os Correios recusam
Pelo comunicado oficial dos Correios, entram celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido, cabos e outros eletroeletrônicos de pequeno porte, com o peso total da caixa limitado a 30 kg, e a própria nota deixa claro que pilhas, baterias e lâmpadas não são aceitas nessa modalidade. Então aquele saquinho de pilha gasta que todo mundo guarda na gaveta da cozinha fica de fora, e bateria solta de celular antigo, daqueles que tinham tampa traseira, também.
O funcionamento é simples, você leva a caixa aberta, o atendente confere e fecha na sua frente, e você informa nome, CPF, endereço, e-mail e telefone pra receber o comprovante. Esses dados servem pra Rede Circulare emitir o registro de descarte correto e mostrar a origem do material pra fabricante e órgão ambiental, segundo a própria página da Circulare, mas uma coisa que eu procurei e não achei em nenhum dos dois sites é qualquer promessa de apagamento dos dados que estão dentro dos aparelhos. Por isso eu trato a limpeza como responsabilidade sua, e não da reciclagem.
Claro que nem toda agência tem o Balcão do Cidadão, e o comunicado não traz uma lista pública por cidade, então pode valer a pena checar o ponto mais próximo na ferramenta de busca da Circulare antes de sair de casa com a caixa debaixo do braço.
No Android, a ordem que eu seguiria
O primeiro passo é o backup, mesmo que você ache que não tem nada importante ali, porque celular parado na gaveta costuma ter foto antiga que nunca subiu pra nuvem e conversa de WhatsApp que só existe naquele aparelho. A página de ajuda do Android em português manda abrir Configurações > Google > Backup e tocar em Fazer backup agora, com o celular acima de 70% de carga e conectado ao Wi-Fi, e no WhatsApp o backup é separado, em Configurações > Conversas > Backup de conversas.
Agora vem a parte que mais gente pula. O Android tem um recurso de proteção que, segundo a ajuda oficial do Google, fica ativo assim que existe uma conta Google e um bloqueio de tela no aparelho, e depois de uma restauração feita fora das Configurações ele pede o bloqueio de tela antigo ou a conta Google que estava no aparelho. A própria página diz que a forma de desligar essa proteção é remover a conta Google do aparelho, então eu sempre faria isso antes de restaurar, mesmo sabendo que a restauração pelas Configurações já pede o seu PIN.
Pra remover, abra Configurações > Senhas e contas (o nome varia por marca, pode aparecer como Usuários e contas, e no Galaxy é Contas e backup > Gerenciar contas), toque na conta Google e em Remover conta. Se for Samsung, faça o mesmo com a Conta Samsung, cuja senha também é pedida na restauração, e a Samsung avisa que quem tem cartão microSD criptografado precisa descriptografar antes, senão os arquivos ficam ilegíveis até pra você.
Com as contas fora, a restauração no Android puro fica em Configurações > Sistema > Opções de redefinição > Apagar todos os dados (redefinição de fábrica), que em alguns aparelhos tem um Avançado no meio do caminho, e no Galaxy em Configurações > Gerenciamento geral > Restaurar > Restaurar dados de fábrica > Redefinir. Em Motorola e Xiaomi o caminho muda um pouco de nome, mas buscar por "redefinir" na lupa das Configurações normalmente leva direto pra tela certa, e o Google avisa que a redefinição pode demorar até 1 hora em alguns aparelhos.
No fim, tire o chip e o cartão de memória. Parece óbvio, mas cartão microSD não é apagado pela restauração na maioria dos celulares, e é ali que muita gente guardava foto.
No iPhone o caminho passa pela Conta Apple
No iPhone a lógica é a mesma, só que a trava se chama Bloqueio de Ativação e está presa ao Buscar. Segundo o guia da Apple sobre o que fazer antes de vender ou doar o iPhone, você faz backup, desemparelha o Apple Watch se tiver um, e depois finaliza a sessão da Conta Apple em Ajustes, tocando no seu nome e indo até Finalizar Sessão. No iOS 26 ou posterior essa tela já oferece a opção Apagar este iPhone, e no iOS 18 ou anterior ela pede a senha da Conta Apple.
Depois é Ajustes > Geral > Transferir ou Redefinir iPhone > Apagar Conteúdo e Ajustes, e a Apple explica que apagar o aparelho desativa o Buscar e o Bloqueio de Ativação. Se o iPhone usa eSIM, escolha apagar o perfil do eSIM quando ele perguntar, e se você vai trocar por um Android, vale também cancelar o registro do iMessage, porque senão mensagem de quem tem iPhone pode continuar indo pro número antigo.
Notebook e tablet vão na mesma caixa, mas pedem mais cuidado
Tablet segue o mesmo roteiro do celular, conta fora e restauração de fábrica. O notebook é que me preocupa mais, porque tem muita senha salva no navegador, documento de trabalho e às vezes acesso de banco, e formatar às pressas costuma deixar coisa recuperável no disco.
No Windows 11 eu usaria, como descreve o suporte da Microsoft, Configurações > Sistema > Recuperação > Restaurar PC, escolhendo Remover tudo e ativando a opção Limpar dados, que demora bem mais (pode passar de 1 hora) só que sobrescreve o conteúdo em vez de só marcar como apagado. Antes disso, saia da conta Microsoft e desvincule o aparelho em account.microsoft.com, e se o notebook tem um SSD que você pode tirar, ficar com ele é a forma mais garantida de não deixar nada pra trás.
Celular que nem liga mais
Esse é o caso mais comum de aparelho parado, tela quebrada ou placa morta, e aí não tem como restaurar nada. O que dá pra fazer é tirar o aparelho da sua conta pelo computador, e a Apple orienta exatamente isso pra quem não tem mais o iPhone em mãos: apagar pelo Buscar no iCloud.com, remover da lista de dispositivos confiáveis e trocar a senha da Conta Apple.
No Android eu entraria em myaccount.google.com, na parte de Segurança, em Seus dispositivos, e sairia da conta naquele aparelho, depois trocaria a senha do Google e a do banco que estava instalado. Isso não apaga a memória do celular morto, claro, mas corta o acesso das suas contas a partir dele, que é a parte que mais me preocuparia.
Agora, se o seu receio é grande, quem conserta celular costuma conseguir ligar a placa só pra fazer a restauração, mas aí é custo e tempo que talvez não compense pra um aparelho que vai pro descarte.
Quando eu não mandaria pelos Correios
Celular com bateria estufada eu não colocaria nessa caixa, até porque os Correios recusam baterias e uma bateria de lítio deformada pode esquentar e pegar fogo dentro de uma caixa de papelão fechada junto com outros aparelhos. A Circulare não fala especificamente de celular estufado e eu também não achei orientação oficial dos Correios pra esse caso, então eu procuraria um ponto de coleta de pilhas e baterias ou o programa de reciclagem do próprio fabricante, como o que a Samsung mantém no Brasil.
Também não mandaria um aparelho que ainda funciona bem sem antes pensar em doar ou vender, porque reciclagem é o fim da linha e um celular de 3 ou 4 anos ainda pode servir pra alguém, mesmo sem receber atualização. Se esse é o seu caso com um Galaxy antigo, escrevi sobre o que muda quando o Galaxy perde o suporte, e as mesmas contas que aparecem aqui valem pra quem vai vender.
E aparelho grande, geladeira, máquina de lavar, TV de tubo grande, passa dos 30 kg e não entra no balcão. Pra esses a Circulare tem um serviço de coleta em casa pra produtos acima de 30 kg, e o fabricante também tem obrigação legal de dar destino ao produto pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Fontes que eu consultei
- Correios: comunicado sobre o descarte gratuito de eletrônicos usados
- Correios: como funciona o descarte nas agências
- Circulare: como descartar eletrônicos
- Google: proteção contra uso do dispositivo sem permissão
- Android: como resetar o celular
- Samsung: como restaurar o Galaxy para os padrões de fábrica
- Samsung: proteção do dispositivo Google no Galaxy
- Apple: o que fazer antes de vender, doar ou trocar o iPhone
- Microsoft: restaurar o PC no Windows
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