
Pelo que foi publicado até 21 de outubro de 2026, nenhuma operadora brasileira aparece pelo nome na lista de aparelhos afetados pela falha WPSplinter, mas fabricantes que a gente vê direto em modem de fibra por aqui, como ZTE, Nokia, Huawei, TP-Link e MitraStar, estão nela. Então o que eu faria agora é pegar o modelo que está na etiqueta do seu roteador, comparar com a tabela abaixo e, se ele aparecer, abrir um chamado na operadora perguntando se já existe firmware corrigido pra aquele modelo exato.
Desligar o WPS no painel do roteador continua sendo uma boa ideia, mas não conte com isso pra fechar a brecha, porque o próprio pesquisador que achou a falha avisa que a chave no menu pode não desligar o pedaço de software vulnerável. Trocar a senha do Wi-Fi também não resolve nada aqui, já que o ataque acontece antes de qualquer senha ser pedida.
Os aparelhos que já apareceram na lista
O pesquisador Quentin Kaiser apresentou a falha na conferência Hexacon em 16 de outubro de 2026 e mantém uma página com a lista de aparelhos afetados, que ele mesmo diz não ser completa, e uma versão no GitHub que vai sendo atualizada. Eu separei o que estava lá no dia 21, dando destaque pras marcas que aparecem em roteador e modem vendido ou emprestado no Brasil:
| Fabricante | Modelos na lista | Operadoras citadas |
|---|---|---|
| ZTE | F680 v4 e 368N | Dezenas, de Espanha, Turquia, Ásia e África |
| Nokia | G-140W-H e a família G-240W (A, B, C, F, G e J), sem versão definida | Telmex, Proximus, Türk Telekom e muitas outras |
| Huawei | B310, B315, B593, WS880 e modelos Speedport | Deutsche Telekom nos Speedport |
| TP-Link | Archer C3150, C5400, VR2800, VR600, VR900, VR1600 e TD-VG5612 | Türk Telekom e provedores da Austrália |
| MitraStar | GPT-2541GNAC | Movistar e Telefónica |
| Askey | TCG3000, RTF3505VW e Speedport W 723V | Orange Bélgica, VOO, Movistar e Deutsche Telekom |
| Sagemcom | Vários F@ST, como 5336, 4353 e 3864 | Proximus, Optus e outras |
| ARRIS e Netgear | SURFboard AC1200, CG3100 e CG3700B | Orange Bélgica e VOO nos Netgear |
| Outros | Cisco RV e WAP, Comtrend VG8050, Zyxel VMG3312, Tenda D301 e N300, Sercomm, Arcadyan, NetComm | Variadas |
A Telefónica aparece na lista, e ela é dona da Vivo, só que todas as menções vêm junto com Movistar e O2, que são as marcas dela na Espanha, e eu não achei nenhuma fonte dizendo que esses modelos, com esse firmware, estão em casa de cliente brasileiro. Isso pesa porque o mesmo nome de modelo pode ter hardware e firmware diferentes de um país pro outro, então ver o seu modelo na tabela é motivo pra perguntar pra operadora, mas não é prova de que o seu aparelho está vulnerável.
Os Huawei B310 e B315 merecem uma olhada a mais de quem mora em sítio ou em área sem fibra, porque são roteadores 4G de chip que circularam bastante no Brasil, e como já são modelos antigos, se você tem um desses ligado na chácara ou na casa de praia, eu já colocaria ele no topo da lista de aparelhos pra trocar.
O que a falha faz e por que desligar o WPS não basta
O WPS é aquele recurso de conectar aparelho no Wi-Fi apertando um botão no roteador, sem digitar senha, e a Broadcom, que fabrica o chip de muito roteador e modem de operadora, usa há anos um programa próprio pra cuidar dele. Segundo a página do pesquisador, esse programa junta mensagens de configuração que chegam em pedaços sem conferir se o resultado cabe no espaço reservado na memória, e uma mensagem montada de propósito consegue corromper essa memória e rodar código no roteador.
Pra isso o atacante não precisa da senha do Wi-Fi, não precisa parear nada e não precisa entrar no painel, basta estar no alcance do sinal, que pode ser um vizinho, alguém no carro parado na rua ou no corredor do prédio. Nas demonstrações que o The Hacker News descreveu, o ataque leu a senha do Wi-Fi de um modem Askey e abriu um acesso remoto num Sagemcom, com permissão total no aparelho.
E sobre o WPS desligado, a orientação do Kaiser é bem clara: não assuma que resolveu, porque a chave do menu pode não remover nem desativar por completo o trecho vulnerável. O Geeknetic explica o motivo, que é o processo do WPS poder continuar rodando por baixo em muitos aparelhos mesmo com a opção marcada como desligada. Mas eu desligaria mesmo assim, até porque o WPS tem histórico ruim de segurança desde 2011 e pouca gente usa ele no dia a dia.
A Broadcom soltou uma correção incompleta em 2018 e orientou os fabricantes a migrarem pro hostapd, que é outro software de Wi-Fi, e não registrou um código CVE pra falha, o que dificulta o rastreio por quem cuida de segurança. Nos chips mais antigos, que rodam o sistema eCos, como os BCM3380, BCM3383 e BCM33834, o pesquisador trata como falha que nunca vai ser corrigida, e nos mais novos, com Linux, como BCM3390, BCM65xx e BCM68xx, a correção depende de cada fabricante trocar o software e mandar uma atualização.
Como descobrir o modelo do seu roteador
Nome comercial de operadora não ajuda muito aqui, porque o modem da Vivo, da Claro ou do provedor do bairro costuma ser fabricado por outra empresa, e é o nome dessa fabricante que importa. O caminho que eu seguiria leva uns 5 minutos:
- Vire o aparelho e procure a etiqueta, normalmente embaixo ou atrás. Anote o fabricante, o modelo completo e a revisão de hardware, se tiver.
- Não tire foto da etiqueta inteira pra mandar em grupo ou fórum, porque nela costumam estar a senha do Wi-Fi e a senha de acesso ao painel.
- Entre no painel do roteador pelo endereço que vem na própria etiqueta e procure a versão do firmware, que costuma ficar em Status, Informações do dispositivo ou Sistema, dependendo da marca.
- Compare o fabricante e o modelo com a tabela acima e com a página do pesquisador, que vai sendo atualizada conforme mais aparelhos são testados.
Se o seu modelo não estiver lá, isso não quer dizer que o aparelho está livre, só quer dizer que ninguém testou ainda, e o próprio Kaiser estima milhões de aparelhos afetados no mundo. Ele publicou um script que testa o roteador pelo ar, mas ele exige Linux e uma placa de rede que entre em modo monitor, então pra maioria das pessoas o caminho realista é perguntar pra operadora ou pro fabricante.
O que eu pediria pra operadora
Chamado genérico de "minha internet está insegura" tende a voltar com um "reinicia o modem", então eu iria com a pergunta pronta. Algo como: meu modem é o modelo tal, fabricante tal, firmware tal, ele usa chip Broadcom e está exposto à falha WPSplinter no WPS, divulgada em 16 de outubro de 2026, existe firmware corrigido ou previsão de troca do aparelho? Como a falha não tem número CVE, citar o nome WPSplinter e descrever que é no WPS da Broadcom ajuda o atendimento a achar a informação.
Na Espanha, segundo o portal Tecnoórbita, a Movistar disse que conhece a falha e está testando os equipamentos com os fornecedores, e a Orange disse que distribui atualização automática pros aparelhos conectados e que não identificou ataque contra clientes. Eu não achei nenhum posicionamento de operadora brasileira até 21 de outubro, e se a sua operadora disser que o modelo está corrigido, peça a versão de firmware que contém a correção pra você conferir no painel.
Quem tem roteador próprio, comprado na loja, faz a mesma pergunta pro suporte do fabricante. E nunca instale firmware baixado de site que promete corrigir a falha, nem firmware de outro modelo "parecido", porque o risco de travar o aparelho é bem maior que o ganho.
Quando eu trocaria o aparelho
Se o roteador é seu, está numa das listas e o fabricante não confirma correção, eu trocaria, principalmente se ele já passou do fim de suporte, que é o caso de muito Huawei 4G antigo e da linha de pequena empresa da Cisco. Já pra modem de operadora o caminho é pedir a troca por um modelo mais novo, que normalmente não tem custo quando o aparelho é emprestado, mas isso varia de contrato pra contrato.
Enquanto a resposta não vem, tem uma medida que eu acho razoável pra quem já usa um roteador próprio ligado no modem da operadora, que é desligar o Wi-Fi do modem e deixar só o roteador próprio emitindo sinal. Essa é uma leitura minha, não está escrita nas fontes, mas faz sentido, porque o ataque depende de mandar pacote pelo ar até o aparelho vulnerável, e um modem com o rádio desligado não recebe esse pacote. Claro que isso só vale se o seu roteador próprio não estiver na lista também, e assim como no WPS, eu conferiria com o celular se a rede do modem sumiu de verdade depois de desligar. Pra quem tem um só aparelho fazendo tudo, desligar o Wi-Fi não é opção.
Também não precisa entrar em pânico. Até a data deste texto o pesquisador não apresentou evidência de ataque acontecendo de verdade, e as operadoras espanholas disseram não ter visto ataques, só que o método agora é público, e com isso a chance de alguém tentar usar aumenta. Eu marcaria pra voltar nesse assunto em algumas semanas, até porque a lista do GitHub deve crescer.
Se você usa roteador TP-Link, repare que alguns Archer estão na lista acima, e de qualquer forma vale conferir se o seu ainda recebe atualização, que é o que eu explico em como saber se o seu TP-Link parou de receber firmware. Pra quem tem ASUS, também tem o guia de como atualizar um ASUS com falha crítica.
De onde eu tirei cada informação
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