Roteador TP-Link sem atualização: como saber e o que comprar
Fundador e editor do ConteudoHub

Vire o roteador de cabeça pra baixo e procure na etiqueta duas coisas, o modelo (algo como Archer C6 ou TL-WR840N) e a versão de hardware, que aparece como "Ver: 3.0" ou só "V3", e com esses dois dados abra a página de suporte do modelo no site da TP-Link Brasil, escolha a sua versão, vá em Firmware e olhe a data do arquivo mais recente. Se o último firmware tem mais de 3 anos, ou se o modelo e a versão aparecem na lista oficial de produtos em fim de vida da TP-Link, eu trataria esse roteador como um aparelho que provavelmente não vai mais receber correção de segurança, então é hora de fechar algumas portas na configuração e planejar a troca.
O assunto voltou porque, segundo a TechRepublic em 08/10/2026, a TP-Link responde a processos de cinco estados americanos, o Texas desde 17/02/2026 e Flórida, Iowa, Montana e Nebraska desde 06/10/2026, e o The Hacker News conta que as ações citam modelos que deixaram de receber correção, acusações que a TP-Link nega, e a decisão da FCC de março de 2026, segundo a TechRepublic, atinge roteadores fabricados fora dos Estados Unidos em geral. Nas buscas que eu fiz até 13/10/2026 não encontrei nenhuma medida da Anatel restringindo roteador TP-Link no Brasil, então o que importa aqui é o seu aparelho estar ou não recebendo atualização.
O que a etiqueta e a página de suporte te dizem
| O que você encontrou | O que isso significa | Meu próximo passo |
|---|---|---|
| Modelo e versão na lista de fim de vida, com fim de venda há mais de 3 anos | Pela política da TP-Link, a manutenção normalmente já acabou | Ajustar a configuração hoje e trocar |
| Na lista, com fim de venda em 2025 ou 2026 | Saiu das lojas, mas deve estar dentro da janela de manutenção | Atualizar o firmware e planejar a troca sem pressa |
| Fora da lista e com firmware dos últimos 12 meses | Aparelho ativo, recebendo correção | Só manter atualizado |
| Etiqueta sem "Ver:" | A TP-Link considera versão 1 | Procurar a V1 na página de suporte |
| Etiqueta com logo da operadora | Firmware próprio da operadora | Cobrar a operadora |
Onde fica a versão e por que ela pesa tanto
A TP-Link explica na página sobre a versão de hardware que ela fica numa etiqueta embaixo ou atrás do aparelho, perto do número de série, e que também aparece na área de Status da página de configuração e nos apps Tether e Deco. E pela página de produtos em fim de vida, quando não tem versão impressa o aparelho é V1.
Isso pesa porque a TP-Link vende o mesmo nome de modelo por anos, trocando a placa por dentro, e cada versão tem firmware e prazo próprios. O Archer C6, por exemplo, aparece na lista com a versão 3.0 brasileira e fim de venda em 07/01/2026, mas a página de suporte do mesmo Archer C6 mostra uma versão 6 com firmware de 22/08/2025, então dois vizinhos com "Archer C6" na caixa podem estar em situações bem diferentes. Por isso eu não confiaria só no nome, e conferir a data do firmware da sua versão leva uns 3 minutos. Na hora de baixar, use só o firmware do país onde você comprou, como a TP-Link avisa nas páginas de download, porque firmware errado pode inutilizar o aparelho, e eu não instalaria o de outra região.
Como ler a lista de fim de vida da TP-Link
A lista vem em PDF, com um arquivo pra redes domésticas e outro pros produtos anteriores a 2018. Cada linha traz modelo, versão, região (BR é a versão vendida aqui), a data do aviso e a data do fim de venda, no formato americano, mês antes do dia, então "1/7/2026" é 07 de janeiro e não 1º de julho.
Agora a parte que mais confunde. Essa data é o fim das vendas, não o fim das atualizações, e quem explica a diferença é a política de fim de vida da TP-Link: depois do fim de venda vem o fim de manutenção, que costuma acontecer 3 anos depois, a não ser que a lei local exija outro prazo, e a partir daí a empresa para de dar suporte, incluindo as atualizações de segurança. Na maioria dos casos o roteador continua funcionando depois disso, só que sem correção nova, e a política avisa que a função do produto pode ficar limitada, por exemplo só funcionando na rede local. Ela pode estender o prazo pra falha grave, mas a critério dela.
Um exemplo concreto. O TL-WR840N versão 6 do Brasil teve fim de venda em 05/12/2020, então pela regra dos 3 anos a manutenção terminaria lá por dezembro de 2023, e na página de suporte da versão 6.20 brasileira o único firmware listado é de 05/09/2018. Ou seja, um roteador muito vendido no Brasil passou anos sem nenhuma correção publicada pra versão brasileira.
E tem uma coisa que eu não consegui esclarecer. A página brasileira da lista, quando eu abri, apontava pra versão 6.0 do PDF, de novembro de 2025, enquanto a página internacional já trazia a versão 8, de agosto de 2026. Usei a versão 8 neste artigo e não achei explicação da TP-Link pra diferença, então se o seu modelo não aparece numa, confira na outra.
O que fazer enquanto o roteador antigo continua ligado
Dá pra reduzir o risco com uns 15 minutos de configuração. A NSA, no guia pra rede de casa, recomenda trocar o roteador quando chega ao fim do suporte, desligar a administração remota e o UPnP e reiniciar o aparelho pelo menos uma vez por semana, e eu faria nesta ordem.
- Trocar a senha de administrador, a da página de configuração e não a do Wi-Fi, porque os modelos antigos vinham com admin e admin de fábrica, como mostra o próprio tutorial da TP-Link.
- Desligar o gerenciamento remoto. Nos modelos novos o tutorial da TP-Link em inglês indica Advanced > System Tools > Administration, opção Disable Remote Management, e em português o nome dos menus pode ser um pouco diferente, enquanto nos antigos o caminho é Security > Remote Management, deixando o IP como 0.0.0.0.
- Desligar o WPS, porque o CERT/CC documentou que o PIN dele cai por força bruta em cerca de 11 mil tentativas.
- Desligar o UPnP, sabendo que console e alguns jogos online podem reclamar depois.
- Reiniciar o roteador uma vez por semana.
Essas mudanças diminuem a exposição, mas não consertam falha no firmware. Em maio de 2025 o FBI alertou, segundo a Bitdefender, que criminosos estavam usando roteadores em fim de vida (os citados eram Linksys) pra montar redes de proxy, e a orientação era substituir o aparelho e, até lá, desligar a administração remota, então eu encaro esses ajustes como uma ponte até a troca.
Quando eu trocaria sem pensar duas vezes
Trocaria se o modelo está na lista com fim de venda há mais de 3 anos, se o último firmware da sua versão tem mais de 3 anos, se o roteador é dos antigos de 300 ou 450 Mbps, como TL-WR840N e TL-WR940N, e você paga fibra de 300 mega pra cima, ou se as portas de rede são de 100 Mbps. Esses dois últimos casos nem são de segurança, mas eles já desperdiçam a internet que você paga.
Agora, se o seu modelo saiu de linha em 2025 ou 2026, como o Archer AX12 e o Archer AX53 brasileiros, com fim de venda em 03/08/2026, eu não sairia correndo pra loja, porque pela política ainda deve haver manutenção por um bom tempo, e manteria o firmware em dia.
Qual roteador eu compraria hoje
Pra quem vai trocar, montei a tabela com modelos que estão na página da TP-Link Brasil e que, na versão 8 da lista, não aparecem com a região BR até 13/10/2026.
| Perfil | Modelo | Por que esse | A ressalva |
|---|---|---|---|
| Apartamento pequeno, internet até 500 mega | TP-Link Archer BE220 | Wi-Fi 7 de duas bandas, WAN e 4 LAN de 1 Gbps, firmware de 29/04/2026 | Sem porta de 2,5 Gbps |
| Fibra de 500 mega a 1 giga | TP-Link Archer BE230 | WAN e uma LAN de 2,5 Gbps, mais 3 LAN de 1 Gbps | Já está na lista de fim de vida nas versões da Europa, dos EUA e do Canadá |
| Casa grande ou sobrado | TP-Link Deco BE22 (kit de 2 ou 3) | Mesh Wi-Fi 7, até 600 m² com o kit de 3 segundo a TP-Link | Só duas portas de 1 Gbps por unidade |
| Casa grande, plano de 1 giga e cabo pelos cômodos | TP-Link Deco BE65 | Três bandas, com 6 GHz, e quatro portas de 2,5 Gbps por unidade | Bem mais caro |
Se você mora em apartamento e a internet é de até 500 mega, o Archer BE220 resolve, porque a porta de 1 Gbps dá conta desse plano com folga. Já com fibra de 1 giga eu iria de Archer BE230, até porque uma WAN de 1 Gbps fica no limite exato do plano, mas claro que a ONT da operadora também precisa ter porta acima de 1 Gbps pra você ver diferença, e isso depende do equipamento que instalaram. Só que o BE230 já aparece na versão 8 da lista com fim de venda na Europa em 03/08/2026 e previsto pros EUA e o Canadá em 14/02/2027, e a versão brasileira não está lá, então eu conferiria a lista de novo antes de comprar, e se ele tiver entrado com região BR, o BE220 ou um Deco passam na frente.
Pra casa grande eu prefiro mesh a repetidor, porque as unidades formam uma rede só pela casa inteira. O Deco BE22 atende a maioria das casas, e o Deco BE65 só vale a pena com cabo de rede ligando as unidades e plano acima de 500 mega. Sobre a banda de 6 GHz dele, escrevi em Anatel e o 6 GHz: ainda vale comprar roteador Wi-Fi 7.
E se a ideia é sair da TP-Link por causa dos processos, tudo bem, só que o critério vale pra qualquer marca: firmware recente na página de suporte e política de fim de vida publicada. A ASUS, por exemplo, também teve falha crítica, como contei em Roteador ASUS com falha crítica: como atualizar.
Pra não cair no mesmo problema daqui a 3 anos
Na compra, confira se o modelo e a versão da caixa não estão na lista de fim de vida, porque a loja pode estar vendendo estoque de uma versão que já saiu de linha. Depois de instalar, ative a atualização automática se o app oferecer e marque na agenda uma conferida na página de suporte a cada seis meses, porque não achei informação oficial dizendo que o app Tether avisa quando o roteador sai de linha, então eu confiaria na conferida manual.
Quando o problema é com a operadora
Roteador da operadora, com logo dela ou instalado pelo técnico, não segue essa lógica, porque o firmware é personalizado e quem atualiza é ela. O The Hacker News conta que, nas falhas recentes em aparelhos TP-Link de provedores, a correção chega pelo próprio provedor e pode nem estar no site da TP-Link, então ligue pra operadora, pergunte a versão de firmware e, se o aparelho for muito antigo, peça a substituição.
E se o roteador que você comprou reinicia sozinho, muda configuração sem ninguém mexer ou mostra aparelho desconhecido conectado mesmo depois de trocar as senhas, eu pararia de ajustar e faria restauração de fábrica seguida de troca, e se ainda estiver na garantia, procuraria o suporte da TP-Link, porque a política diz que o fim de manutenção não afeta a garantia.
De onde saiu cada dado
- TP-Link: política de fim de vida
- TP-Link Brasil: produtos em fim de vida útil
- TP-Link: lista de fim de vida de redes domésticas V8 (PDF)
- TP-Link Brasil: versão de hardware
- TP-Link Brasil: downloads do TL-WR840N V6.20
- TP-Link: gerenciamento remoto
- TechRepublic: processos contra a TP-Link (08/10/2026)
- The Hacker News: mais quatro estados processam a TP-Link
- NSA: segurança da rede de casa (PDF)
- CERT/CC: PIN do WPS
- Bitdefender: alerta do FBI sobre roteadores em fim de vida
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