
Passe a mão na frente da lente por uns 10 segundos, espere 1 minuto e abra a reprodução do cartão no app da câmera, na data de hoje. Eu montei esse teste em cima do que a EZVIZ indica, que é acenar na frente da lente até chegar a notificação de alarme, e ele separa três situações em 2 minutos: o vídeo apareceu e a gravação tá funcionando, apareceu só gravação antiga e o cartão encheu sem sobrescrever, ou não apareceu nada e aí é configuração de gravação local, cartão com defeito ou cartão incompatível.
Na maior parte dos casos que eu vi nas reclamações e nos suportes oficiais, o culpado é o cartão, seja porque é lento demais, porque foi formatado no computador em vez de pelo app, ou porque é falsificado. Então se o teste falhou, eu começaria entrando nas configurações da câmera, em armazenamento, conferindo se o cartão aparece como normal e se a gravação local tá ligada, e se tiver qualquer coisa estranha, formatando pelo próprio app. Isso resolve boa parte dos casos em coisa de 5 minutos.
Qual resultado apareceu no teste
| O que você viu | Causa provável | Tempo pra testar |
|---|---|---|
| Nenhum vídeo, cartão aparece como anormal ou não inicializado | Cartão formatado fora da câmera ou com defeito | 5 minutos |
| Nenhum vídeo, cartão aparece normal | Gravação local desligada ou agenda fora do horário | 3 minutos |
| Só gravações antigas, nada recente | Cartão cheio e câmera sem sobrescrita automática | 2 minutos |
| Vídeo com buracos de minutos ou horas | Cartão lento, reinício programado ou gravação só por movimento | 10 minutos |
| Parou depois de meses funcionando | Cartão comum desgastado pela gravação contínua | Troca do cartão |
| Grava, mas não baixa ou não reproduz no celular | Rede, VPN ou mais de uma pessoa acessando ao mesmo tempo | 5 minutos |
Cartão lento ou fora do que a câmera aceita
Câmera grava sem parar, e cartão que foi feito pra câmera fotográfica, que grava em rajadas e descansa, não aguenta esse ritmo. A TP-Link pede no mínimo Classe 10, U1 e V10, os três juntos, pras câmeras Tapo e Kasa, e a EZVIZ fala em Classe 10 ou UHS-1, então esses selos pequenos impressos no cartão são a primeira coisa que eu olharia. Só que cumprir a classe não garante nada sozinho, até porque a própria TP-Link lista cartões que não funcionam em nenhuma Tapo ou Kasa mesmo tendo a velocidade certa, como o ADATA A1 V10 e o Samsung EVO Plus de 256 GB.
Tem também o limite de capacidade, que muda de câmera pra câmera. Segundo a TP-Link, as Tapo aceitam até 512 GB e as Kasa até 256 GB, dependendo do modelo e da versão de hardware, então colocar um cartão maior que o suportado costuma dar erro de leitura ou gravação que para do nada. O que eu recomendaria é conferir a capacidade máxima no manual ou na página do seu modelo, porque essa informação muda até entre versões da mesma câmera.
E sobre qual cartão comprar, a TP-Link recomenda os modelos High Endurance, Max Endurance ou Pro Endurance, feitos pra câmera de segurança e câmera veicular. A Intelbras, numa resposta publicada no Reclame Aqui em fevereiro de 2024, atribuiu uma câmera que não gravava ao cartão usado e indicou o WD Purple Classe 10 com certificado de originalidade, que é próprio pra monitoramento. Com certeza custa mais que um cartão comum, mas pra câmera que grava 24 horas eu não usaria outro tipo.
Cartão falsificado
Esse pega muita gente que compra em marketplace pelo menor preço. A TP-Link avisa que cartão falsificado é comum e que costuma falhar na formatação ou nem ser reconhecido, e orienta comprar em revenda autorizada e testar logo depois da compra. Pra confirmar, o jeito mais simples é comparar a capacidade que a câmera mostra com a da embalagem e ver se o cartão aguenta ser formatado pelo app sem erro. Se o preço tava bom demais pra um cartão de 256 GB, eu já desconfiaria antes de qualquer teste.
Cartão formatado no computador
Muita gente coloca o cartão no notebook, formata e põe na câmera, e ela não consegue gravar. A EZVIZ manda inicializar o cartão pelo app antes de usar e explica que se o status nas configurações da câmera aparecer anormal ou não inicializado, é pra formatar de novo por lá, fazendo backup antes do que for importante. A TP-Link fala a mesma coisa pras Tapo, com formatar o microSD como o primeiro passo quando não tem nenhuma gravação.
O formato esperado também depende do tamanho, e a EZVIZ indica FAT32 pra cartão abaixo de 64 GB e exFAT de 64 GB pra cima, mas formatando pelo app você não precisa se preocupar com isso porque a câmera escolhe sozinha. O processo demora perto de 2 minutos, e claro que apaga tudo que tinha no cartão, então se tem algum vídeo que você precisa guardar, baixe antes pelo app.
Gravação local desligada ou agenda errada
Cartão reconhecido e nada gravado costuma ser configuração. Nas Tapo, o caminho que a TP-Link indica é app Tapo > Visualização ao vivo > Configurações > Armazenamento e gravação, onde você liga a Gravação local e confere a programação, que pode ser contínua ou só por detecção. Nas outras marcas o nome muda, mas quase sempre fica numa tela de armazenamento ou gravação dentro das configurações da câmera.
Aqui tem um detalhe que confunde, porque com gravação só por detecção a câmera não guarda nada quando não tem movimento, e se a sensibilidade tá baixa ou a área de detecção não cobre o portão, ela pode passar o dia sem gravar. Eu deixaria em contínua se a câmera fica na tomada e o cartão for de alta resistência, até porque a própria TP-Link sugere gravação contínua quando o vídeo tem trechos faltando. Câmera à bateria não tem essa opção, e nesse caso o jeito é ajustar a detecção.
Cartão cheio e câmera que não apaga o antigo
A maioria das câmeras sobrescreve os vídeos mais antigos quando o cartão enche, só que isso não é regra pra todas as marcas. Numa reclamação de março de 2025 no Reclame Aqui, a Ekaza respondeu que quando o cartão atinge a capacidade máxima o cliente precisa remover e fazer a limpeza manual, e sugeriu o serviço de nuvem como alternativa. Então quando o seu teste mostrou só vídeo de semanas atrás, confira no manual ou no suporte da sua marca se existe uma opção de sobrescrita automática, e se não existir, a solução é formatar periodicamente ou migrar pra nuvem.
Eu não achei uma lista oficial de quais marcas vendidas no Brasil sobrescrevem e quais não, e o manual de câmera genérica muitas vezes nem cita isso. Pra descobrir sem esperar o cartão encher, olhe nas configurações de armazenamento se aparece algo como sobrescrever, gravação cíclica ou loop, e se não aparecer nada, anote a data e confira de novo quando a barra de espaço chegar perto do fim.
Buracos na gravação e reinício programado
Quando o vídeo existe mas pula trechos, o suporte da TP-Link aponta como suspeitos a gravação por detecção em vez de contínua, o reinício programado da câmera, as ações inteligentes configuradas no app, queda de energia e cartão sem a velocidade recomendada. Algumas câmeras têm um reinício automático agendado, e se o seu buraco sempre aparece no mesmo horário, eu olharia essa opção primeiro. Conte uns 10 minutos, entre achar a configuração e conferir a linha do tempo de uns 2 ou 3 dias.
Queda de Wi-Fi normalmente não deveria atrapalhar a gravação no cartão, porque ela acontece dentro da câmera, mas atrapalha a reprodução pelo celular. Se o problema é a câmera sumindo do app, o assunto é outro, e já falei disso no artigo sobre câmera Wi-Fi que fica offline toda hora. Pra download que não funciona, a TP-Link pede celular e câmera na mesma rede, VPN desligada e as redes de 2,4 GHz e 5 GHz separadas no roteador, e lembra que só uma pessoa por vez consegue assistir a reprodução do cartão.
Funcionou meses e parou
Esse é o caso que mais pega de surpresa, porque não teve mudança nenhuma e um dia a câmera simplesmente não tem mais vídeo. Cartão de memória tem vida útil ligada à quantidade de gravação, e câmera em gravação contínua escreve o dia inteiro, então cartão comum tende a se desgastar bem mais rápido do que num celular. A TP-Link deixa claro que cartão feito pra câmera fotográfica não é adequado pra vigilância, mas nenhum dos suportes que eu abri publica em quantos meses um cartão comum costuma morrer nessa função, então não vou te dar um número inventado.
Pra confirmar, a EZVIZ sugere trocar por outro cartão e, se possível, testar o cartão suspeito em outra câmera. Se o cartão novo grava e o antigo não, o problema tá fechado. Eu trataria a troca do cartão como manutenção da câmera, do mesmo jeito que se troca pilha de sensor, e não como defeito.
O teste de todo mês
O jeito de não descobrir o problema no dia em que você mais precisa é repetir o teste da abertura uma vez por mês. Passe na frente da câmera, anote a hora e abra a reprodução pelo app, e isso leva 30 segundos por câmera. Aproveite pra olhar se o status do cartão continua normal e quanto espaço ainda tem livre, e mantenha app e firmware atualizados, que é um dos primeiros passos que a EZVIZ lista.
E se a câmera fica do lado de fora, lembre que umidade também mata cartão e conector, e a vedação tem limite, como expliquei no artigo sobre câmera externa que parou na chuva.
Quando é caso de garantia ou técnico
Se você trocou por um cartão novo, de marca, com a classe certa e dentro da capacidade, formatou pelo app, ligou a gravação local e a câmera continua sem gravar, o problema provavelmente tá na câmera. A EZVIZ sugere ainda a restauração de fábrica pelo botão de reset antes de chamar o suporte. Depois disso, eu abriria chamado com a fabricante já com prints do status do cartão e da tela de configuração, até porque na reclamação da Tapo C500 que eu li no Reclame Aqui, de setembro de 2025, o suporte da TP-Link exigiu vídeo de evidência pra aceitar garantia.
Câmera instalada em altura, com cabo passando por forro ou fachada, eu deixaria pra quem instalou ou pra um técnico, porque escada e fiação elétrica têm risco que não compensa por um cartão de memória.
Dúvidas que aparecem sobre o cartão da câmera
Posso usar o mesmo cartão do celular?
Pode funcionar por um tempo, mas a TP-Link recomenda cartões de alta resistência pra câmera, porque o cartão comum não foi feito pra gravação contínua. Eu reservaria o cartão do celular pro celular.
Qual o tamanho ideal do cartão?
Depende do limite da sua câmera e de quantos dias você quer guardar. A TP-Link calcula que 256 GB guardam em torno de 768 horas de vídeo em 2 MP ou 192 horas em 8 MP a 15 quadros por segundo, e o tempo real varia com a cena.
Formatar pelo computador resolve?
Geralmente não. A EZVIZ e a TP-Link mandam formatar ou inicializar pelo app da câmera, que prepara o cartão do jeito que ela espera.
A câmera grava no cartão sem internet?
A gravação acontece dentro da câmera, então normalmente continua, mas não achei uma garantia oficial que valha pra todas as marcas. Confira no manual do seu modelo e faça o teste desligando o roteador por alguns minutos.
Fontes que eu abri
- EZVIZ: o que fazer se a câmera não grava no cartão SD
- TP-Link: compatibilidade de cartão microSD nas câmeras Tapo e Kasa
- TP-Link: problemas de gravação e reprodução do cartão SD na Tapo
- Reclame Aqui: câmera Ekaza não sobrescreve gravações no cartão
- Reclame Aqui: câmera Intelbras não grava mesmo com cartão de memória
- Reclame Aqui: Tapo C500 não grava no cartão nem na nuvem
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