
Pega o power bank de 20.000 mAh, que é o tamanho que mais aparece na mochila de quem viaja, e faz a conta que a companhia aérea vai fazer por você: 20.000 vezes 3,7 volts, dividido por 1.000, dá 74 Wh, e se a etiqueta usar 3,6 V dá 72 Wh, então em qualquer um dos dois casos ele fica abaixo do limite de 100 Wh e pode ir com você, desde que vá na bagagem de mão, com no máximo 2 por passageiro e sem ser recarregado durante o voo, que é o que a ANAC passou a exigir em 2026.
O assunto voltou porque em 11/10/2026, segundo a imprensa indiana, um carregador portátil pegou fogo no bagageiro do voo 6E 6115 da IndiGo, que saiu de Délhi pra Chennai e acabou desviando pra Hyderabad, sem feridos relatados. Então eu separei como ler os Wh na etiqueta, os sinais de que o seu já não é confiável e quais modelos eu levaria, todos abaixo de 100 Wh e com homologação que eu conferi na base oficial da Anatel em 13/10/2026.
Faça a conta antes de colocar na mochila
| Capacidade na etiqueta | Wh a 3,6 V | Wh a 3,7 V | O que a regra da ANAC permite |
|---|---|---|---|
| 10.000 mAh | 36 Wh | 37 Wh | Leva na bagagem de mão, sem autorização |
| 20.000 mAh | 72 Wh | 74 Wh | Leva na bagagem de mão, sem autorização |
| 24.000 mAh | 86,4 Wh | 88,8 Wh | Leva na bagagem de mão, sem autorização |
| 27.000 mAh | 97,2 Wh | 99,9 Wh | Passa raspando, confira o Wh impresso |
| 30.000 mAh | 108 Wh | 111 Wh | Precisa de autorização da companhia |
| 45.000 mAh | 162 Wh | 166,5 Wh | Não embarca, passa de 160 Wh |
O que aconteceu no voo da IndiGo
Segundo a agência indiana PTI, reproduzida pelo ThePrint, a fumaça saiu de um aparelho eletrônico de passageiro guardado no compartimento de bagagem acima dos assentos, e vídeos que circularam mostram chamas ali dentro. A IndiGo falou só em fumaça vinda de "dispositivo eletrônico pessoal", controlada rápido pela tripulação, mas a imprensa local e o Olhar Digital tratam o caso como fogo em power bank, e o pouso em Hyderabad aconteceu sem feridos relatados.
A companhia não divulgou marca nem capacidade do carregador, então não dá pra saber se era pirata ou estufado, e eu prefiro não chutar, mas provavelmente vai sair mais detalhe na investigação.
O que a ANAC mudou em abril de 2026
A base é a Portaria Regulatória nº 21, de 1º de abril de 2026, que aprovou a revisão M da Instrução Suplementar 175-001, sobre artigos perigosos, e entrou em vigor na data em que saiu no Diário Oficial da União, em 06/04/2026. A ANAC divulgou as regras pro passageiro em 24/04/2026, e o resumo da Agência Brasil fica assim: power bank só na bagagem de mão, no máximo 2 por passageiro, até 100 Wh sem autorização, de 100 a 160 Wh só com autorização prévia da companhia, acima de 160 Wh é proibido e fica no aeroporto, os terminais têm que estar protegidos contra curto e é proibido recarregar o power bank a bordo. Então dois de 20.000 mAh podem ir juntos na bagagem de mão, mas um terceiro já passa do permitido, mesmo sendo pequeno, e um de 30.000 mAh, que fica entre 108 e 111 Wh, cai na faixa da autorização, que eu pediria antes de ir pro aeroporto e não no portão.
Esse limite de 2 é pra power bank, que é bateria avulsa. Bateria instalada no notebook ou no celular segue outra regra, e eu não achei no resumo oficial nada que some uma coisa com a outra.
Sobre usar o power bank pra carregar o celular durante o voo, o texto divulgado diz que eles "não devem ser utilizados" pra isso, e cada companhia pode ser mais rígida, tanto que a Azul proíbe o uso, segundo a Band. O texto completo da IS 175-001M eu não consegui abrir, porque o site da ANAC bloqueou o acesso com verificação anti-robô, então o que está aqui vem do Diário Oficial e do resumo divulgado. Na dúvida, vale a pena checar no site da companhia.
Como achar os Wh na etiqueta sem errar
A maioria dos power banks bons já traz o valor em Wh impresso na carcaça, e é esse número que o agente de embarque vai procurar. Quando só aparece mAh, a conta é Wh = mAh x V / 1.000, usando a tensão da célula, que normalmente é 3,6 V ou 3,7 V, e não os 5 V da saída USB.
A própria Xiaomi mostra isso bem na ficha do Power Bank 20000 com cabo integrado, que lista 20.000 mAh a 3,7 V, ou 74 Wh, e logo abaixo uma "capacidade nominal" de 13.000 mAh a 5 V, que é quanto sai de fato depois das perdas de conversão, então se você usar esse segundo número na conta vai achar um Wh menor do que o real.
E tenho uma ressalva pros modelos de 27.000 mAh, que viraram moda justamente por ficarem colados no limite: a 3,7 V a conta dá 99,9 Wh, então só confio no que está impresso, e se a etiqueta estiver apagada a companhia pode simplesmente barrar, porque ninguém no portão aceita conta de cabeça.
Por que o bagageiro é o pior lugar pra ele
Mala despachada já é proibida há tempo, porque no porão ninguém vê se começar a esquentar, e o bagageiro segue a mesma lógica em escala menor. A agência europeia de aviação, no boletim de segurança SIB 2025-03, recomenda que power bank viaje "onde possa ser monitorado", com a própria pessoa, e pede às companhias que alertem a tripulação sobre o risco de baterias guardadas nos compartimentos de cima, que foi exatamente o cenário da IndiGo.
Então o que eu faria é deixar o power bank no bolso da jaqueta ou na bolsa embaixo do assento da frente, longe de perfume e spray. Claro que a regra da ANAC, até 13/10/2026, não proíbe o bagageiro, mas embaixo do assento você percebe na hora se ele esquentar ou soltar fumaça, e com o bagageiro fechado isso pode demorar.
Sinais de que esse power bank já deu o que tinha que dar
O guia de baterias da FAA, a autoridade de aviação americana, pede que o passageiro avise a tripulação na hora se uma bateria estiver superaquecendo, inchando, soltando fumaça ou queimando, e os mesmos sinais servem pra decidir em casa se ele ainda viaja.
- Carcaça estufada, tampa descolando ou o power bank balançando quando apoiado na mesa, porque a célula inchada empurra o plástico.
- Esquentando muito durante a recarga ou parado na mochila, sem estar carregando nada, o que costuma indicar célula danificada ou proteção falhando.
- Cheiro adocicado ou de plástico queimado, chiado, ou marca de derretimento perto da porta USB.
- Queda feia recente, contato com água ou porcentagem que despenca do nada, que pode ser só célula velha mas também pode ser dano interno.
Com qualquer um desses eu deixaria o power bank em casa, mandaria pro descarte e compraria outro antes da viagem.
Selo da Anatel e como eu conferi
Power bank vendido no Brasil precisa de homologação da Anatel, tanto que em 2022 a agência multou a Tectoy por vender um de 10.000 mAh sem homologação e disse, segundo o Tecnoblog, que aparelho sem certificação pode causar superaquecimento, fogo ou explosão mesmo em uso normal.
O selo na caixa ou na carcaça traz um número de homologação de 12 dígitos, e esse número dá pra procurar na planilha pública de produtos homologados que a Anatel mantém nos dados abertos da agência, e foi por ali que eu busquei cada modelo citado abaixo. Agora, homologação mostra que aquele modelo passou nos ensaios, mas não garante que a unidade que você comprou no marketplace é original, então compra em loja oficial da marca ou varejista grande pesa tanto quanto o selo.
Os que eu levaria na mala de mão
Se você quer só garantir o celular durante um dia de viagem, um de 10.000 mAh basta e pesa bem menos. Já pra quem viaja com celular, fone e relógio, eu iria de 20.000 mAh, e só subiria pra 24.000 mAh se precisar carregar notebook por USB-C. Todos abaixo estavam com homologação emitida na base da Anatel quando eu consultei, em 13/10/2026.
Samsung Bateria Externa 20.000 mAh (EB-P4520)
Entrega até 45 W pela USB-C, o que dá conta de um Galaxy e até de notebook leve, e foi homologada na Anatel em 11/01/2024 com o número 231022301739. A ficha da Samsung não informa os Wh, então confira na etiqueta, mas pela conta fica entre 72 e 74 Wh. Pra quem quer menor, a EB-P3400, de 10.000 mAh, também está homologada.
Xiaomi Power Bank 20000 com cabo integrado (PB2020MI)
É o único dos quatro em que o fabricante publica o Wh na ficha, 74 Wh, e tem cabo USB-C embutido, o que resolve aquele cabo esquecido no hotel. A potência é menor, 22,5 W no total, então carrega celular sem pressa e não serve pra notebook. Homologação nº 015942514550, de 14/04/2025.
Baseus EnerFill FC11 20.000 mAh 22,5 W
Tem display com a porcentagem e cabos embutidos, e a versão de 20.000 mAh, código E0027S, está à venda em varejistas como a Pichau e foi homologada em 27/11/2025 com o número 064042514894. Os Wh eu não achei em fonte oficial da Baseus, então olhe a etiqueta, e pela conta deve ficar nos mesmos 72 a 74 Wh.
Anker 737 Power Bank (PowerCore 24K)
É o que eu levaria se o notebook vai junto, porque entrega até 140 W pela USB-C, e foi homologado na Anatel em 18/02/2025, modelo A1289. A página da Anker mostra 24.000 mAh mas não mostra Wh, a conta dá 86,4 Wh a 3,6 V, e o Canaltech no lançamento brasileiro, em 2025, falou em 90 Wh, ou seja, abaixo de 100 de qualquer jeito. Só que ele pesa bem mais que os outros três, então pra viagem curta eu ficaria com um de 20.000 mAh.
Ugreen também aparece com vários modelos homologados na Anatel, mas a base lista só códigos internos, e eu não consegui ligar esses códigos a nomes comerciais com segurança, por isso ficou de fora. Bateria LiFePO4 ou semissólida pode ser mais segura, como dizem os anúncios, mas não encontrei comparação oficial que justifique usar isso como critério.
Quando descartar em vez de insistir
Power bank estufado não tem conserto que valha a pena, e abrir a carcaça pra trocar célula é justamente o que provoca curto e fogo, então a única saída é descarte em ponto de coleta de pilhas e baterias, que lojas de eletrônicos costumam ter. Se ele começar a esquentar ou soltar fumaça durante o voo, não tente apagar nem colocar na água sozinho, chame a tripulação na hora, porque ela é treinada e tem o equipamento certo.
Fontes que eu consultei
- DOU: Portaria ANAC nº 21/2026
- Agência Brasil: regras da ANAC (24/04/2026)
- Band: regras das companhias
- ThePrint (PTI): voo 6E 6115
- Olhar Digital: pouso na Índia
- EASA: SIB 2025-03
- FAA: baterias de lítio
- Anatel: produtos homologados
- Tecnoblog: multa da Tectoy
- Xiaomi: Power Bank 20000
- Samsung: EB-P4520
- Anker: 737
- Canaltech: Anker 737 no Brasil
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